Segunda-feira, Novembro 13

A França dos franceses?

Cheguei na França, depois de colocar a casa e a vida em ordem, fui em busca de minha nova identidade teuto-franco-brasileira. Não minha gente, não estou renegando minha raça, só tentando inventar mais uma, não posso? Sim, sou brasileira, papachibé, sempre serei, mas somente sendo uma tapada ignorante de pai, mãe e parteira para não assimilar alguma coisa da cultura e costumes de onde se está inserida. No caso, duplamente inserida (sem trocadilhos, por favor).

Para construir essa nova identidade teuto-franco-brasileira fui interagir com o mundo lá fora. Vizinhos, padeiro, o moça do caixa do supermercado, alguém que passa na rua, tudo conta. Aprender o idioma local já está sendo providenciado, pois esse é um dos pilares nesse processo. Então vamos ver....

Vizinha da esquerda: austríaca que casou com um francês e blá-blá-blá
Vizinha da direita: nunca ví a cara do povo. Sei que existem porque o gato deles vem me dar notícias.
Vizinha da frente: um simpático senhor bávaro... casado com uma francesa.
Amigos recentes: casal teuto-francês com duas filhas brasileiras
Professora do Manrique: teuto-francesa
Minha professora: teuto-francesa
Atendente da minha escola de idiomas: franco-hispânica
Padeiro: franco-marroquino
Açogueiro: franco-marroquino
Amiguinhos do Manrique: 50% franco marroquinos 50% teuto-franceses.

Pergunta: CADÊ OS FRANCESES DESSA TERRA??? Precisa ser "raça pura não", filhos de pai e mãe franceses, nascidos na França já serve. Não quero nem saber dos avós.

Essa minha região é tão multi-racial que eu fico zureta com o festival de sotaque. As vezes sinto-me morando na Torre de Babel e não na França. Assim não tem condições de criar identidade teuto-franco-brasileira. Vou acabar fazendo um bagacela sem tamanho.

Essa era uma região de extração de minério. Pessoas de todos os lugares da França e suas colonias vieram "tirar sua lasquinha" nos áureos tempos. Deve ter até brasileiro por aqui. Pode apostar. As minas fecharam mas, lógico, muitos ficaram por aqui, principalmente aquele com pespectivas ruins em sua cidade natal.

Pode ser que eu esteja exagerando. Para quem me conhece, a probabilidade disso estar acontecendo é grande. Mas realmente, estou sentindo falta do francês puro. Aquela língua linda, quase musical, vira um verdadeiro barulho aqui. Dá até medo! Já temos a fama (olha eu me achando A francesa) de não sermos franceses por essa região ora pertencer à Alemanha, ora à França. E ainda me travam o sotaque?? Jesus me socorra!

Por favor, não entendam minhas palavras como crítica. Também sou uma imigrante nessa terra. Mas que é engraçado chegar na França e comprar baguete da mão de uma marroquino e vinho de um alemão, ah isso é!!!