Segunda-feira, Julho 31

Hitzefrei

Celular toca:
- Mãe, tu estais em casa?
- Não meu amor, a mãe tá fazendo caminhada.
- É que tá muito quente e a gente foi dispensado da escola. Eu estou voltando pra casa.
- Arri égua Johan... espera que já estou voltando... assim não tem mãe que fique em forma!!

Já falei aqui do super monstruoso calendário escolar alemão onde as crianças tem ao todo três meses de férias. Não satisfeitos os alemãs ainda me inventam uma maneira politicamente correta de gazetar (cabular ou matar aula, para os sulistas*) aula, o tal Hitzefrei.
Funciona assim: quando o termometro da escola, durante o recreio chega aos 28ºC, as crianças são dispensadas das aulas e mandadas para casa. Imagina, a mãe trabalhando lá na baixa da égua tendo de correr pra casa porque o filho saiu mais cedo da escola e se não tiver ninguém que cuide vai acabar ficando na rua.

Ora, tenha a Santa Paciência. Será que já não basta férias e feriados normais ainda tem esse Hitzefrei? Na minha época, quando eu era criança pequena lá no Belém do Pará, coisa de muito pouco tempo atrás, a gente tinha de estudar no calor mesmo. Tinha essa folga toda daqui não. Quando tinha um ventiladorzinho de teto o espaço abaixo dele era disputado a tapa, mas nada de ir pra casa não. Imagina a escola parar por causa de um calorzinho de 28ºC de nada. Belém não iria pra frente dessa forma. As aulas iriam até 10 da manhã e teriamos 300 dias letivos por ano para compensar. E não vem com graça não porque temos excelentes profissionais ali, bem assadinhos, no calor das salas de aula.

Vou aproveitar a ausência de estudantes na faixa étaria beneficiada por essa gazetação de aula lícita, para lançar a campanha: "Pode vir quente que estou fervendo"

A área externa do colégio seria um ótimo lugar para uma aula ao ar livre. Um passeio pela floresta com a professora de ciências. Por uma cervejaria com a de química. Ou simplesmente um bate-papo informal sobre drogas, sexo e rock roll abaixo de uma árvora seriam ótimas opções. Eu sou professora, fui aluna e sei que isso é completamente possível.

Sim... dá certo sim. Pode funcionar muito bem. Vivi essa situação aqui na Alemanha quando estava aprendendo o idioma e era igualzinho ao "resto": aula de segunda à sexta, das 9 às 13 h, fechados em uma sala com outras 20/30 criaturas de hábitos de higiene duvidosos, mais a professora, tendo de sentar a cabeça no livro e aprender a droga do idioma quer chova, quer faça sol escaldante e era isso que fazíamos quando o sol estava quente (hahahahahaha ri a paraense), então pq os outros belezas não podem??

Larguem mão de ser preguiçosos e arrumarem desculpa esfarrapada


*Lembrem-se que sou do Pará. Qualquer coisa abaixo do Tocantins pra mim é sul!

Domingo, Julho 9

Enquanto isso as torcidas...

Enquanto o povo estava de olho no gramado, além das pernas dos jogadores não sei o que tem de tão interessante lá, essa colunista que vos escreve voltou seu olhar para as torcidas, ou melhor, para o figurino das torcidas. Reformulando a tradição indígena de se enfeitar para a guerra, as torcidas deram um show a parte enfeitando-se para essa guerra que na verdade foi totalmente pacífica. Tivemos um festival de plumas, paetês, alegorias e adereços desfilando pelos estádios e ruas da Alemanha de encher os olhos. Se eu fosse maldosa, se eu fosse, vejam bem, diria que por estarem longe de casa, teoricamente sem ninguém conhecido por perto, a galera aproveitou para soltar a perua louca existente dentro de cada um de nós, ou melhor, dentro DELES!



A diversidade de chapéus deve estar deixando minha amiga íntima, Elizabeth, rainha da Inglaterra, verde de inveja. Não vou me surpreender se ela aparecer com algum modelito levemente parecido aos que andam desfilando pelas ruas fazendo a cabeça da galera. Ela pode ser chique, mas é gente humana como nós. Acreditem, conheço Betinha há anos. Não duvido que ela tenha mandado buscar um belo estoque, ou quem sabe até comprado no Ebay, para usar depois da Copa, claro. Seria super embaraçoso aparecer em um acontecimento público e encontrar três ou quatro pessoas usando o mesmo adereço. Que pelo menos mudem as cores!



Mas a criatividade não parava só na cabeça. Literalmente falando invadiu o corpo com muita pintura corporal "vestindo" os torcedores, inconformados em simplesmente usar uma camisinha de seu time. Nada comparado a Globeleza, lógico. Parente de Hans Donner estava de olho para pedir os direitos autorais, caso fosse necessário. Pelas fotos aqui na coluna, você pode ter uma pequena, mas muito pequena mesmo, amostra do que estou falando. A magia do futebol transpassa os limites do campo, do estádio, da alma e reflete em todos contagiando de alegria a quem estiver por perto.




À todas as torcidas que se comportaram muito bem durante o mundial, foram pouquíssimos os casos de briga registrados, uma porradinha aqui, uma bebedeira acolá, nada de grave, meus sinceros PARABÉNS. Às que não se comportaram, dentro e/ou fora de campo... vão pra casa de castigo e aprender a ser gente!!

Até 2010 na África do Sul... arri égua, lá é que a torcida será enfeitada mesmo!!!!