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ImageGravidez na Alemanha

Ter um filho é um processo biológico e deveria ser igual em todas as partes do mundo, não é mesmo? Mas a realidade é que as diferenças culturais e infra-estruturais de um país influenciam muito a gravidez.
Toda mulher grávida na Alemanha recebe o "Mutterpass", um caderno onde todas as informações sobre a gestante e o feto serão anotadas pelo médico, passo a passo, até o dia do nascimento. Será o seu segundo 'passaporte', que você deve levar consigo para onde for.
 
Existe uma revista gratuita em alemão chamada "Wo Bekomme Ich Mein Kind?", que contém listas de hospitais, médicos, lojas, etc., por região da Alemanha. Essa revista pode ser encontrada em consultórios médicos, lojas de artigos de bebê, clínicas, farmácias ou até quiosques. A revista também oferece informações breves sobre o que cada hospital oferece em termos de parto e cursos preparatórios para a gravidez, além de endereços e telefones. Não deixe de consultá-la.

Exame médico

Em geral são realizados doze exames antes da data estimada para o nascimento (Termin Datum). É feito um exame por mês, sendo que nos dois últimos meses são feitos exames de 15 em 15 dias. Caso o bebê atrase, você poderá ter que ir ao médico diariamente ou de dois em dois dias.

Se o seu seguro-saúde for privado, o médico irá fazer um número grande de exames. Também fará ultra-som (Ultraschallaufnahmen) praticamente em toda a consulta, enquanto para pacientes não-privados o normal são seis exames de ultra-som durante a gravidez. Também são realizados exames de sangue, urina, pressão arterial, peso e amniocentese, no caso de grávidas com mais de 35 anos de idade.

O obstetra/ginecologista

Se você fez o teste de gravidez (Schwangerschaftstest) comprado na farmácia (funciona em 99% dos casos já a partir do primeiro dia de atraso da menstruação) e deu positivo, parabéns! Você precisa agora de um bom ginecologista (Frauenarzt). 
 
ImageAo escolher o médico, procure saber se ele também poderia ser o obstetra. Em algumas regiões da Alemanha, apenas os obstetras do hospital podem realizar o parto. Se você quiser que o seu ginecologista também faça o parto, informe-se antes. Caso contrário, seu ginecologista cuidará de você somente até a hora do parto - a partir daí, um obstetra do hospital é que fica responsável por você e seu bebê. Neste caso, procure visitar o hospital algumas vezes a partir do sétimo mês, para ir se familiarizando com o local e conhecendo a equipe médica.

Durante o parto, uma figura assume extrema importância: a parteira (Hebamme). Normalmente escolhe-se a parteira pelo menos um mês antes do parto. Os honorários da parteira são pagos pelo seu plano de saúde (Krankenkasse).
 
Peça uma lista de parteiras no hospital que você escolher ou peça indicação ao seu médico. Procure saber se há parteiras na sua região que falem o português, o espanhol ou outra língua que você domine, caso não domine o alemão muito bem. Entre em contato com ela e marque uma visita dela à sua casa. É a parteira que você irá contatar quando sentir contrações, por exemplo, fora do horário de atendimento do seu médico. Ela poderá acompanhar o pré-parto e estará lá com você durante o nascimento.

Existe porém um limite de dias em que você poderá dispor da parteira, definido pelo plano de saúde. Qualquer dia excedente terá que ser pago à parte. Procure saber exatamente quantas vezes ela poderá vir. Caso você não tenha muita ajuda na Alemanha depois do parto, ela poderá ser uma pessoa importante nos primeiros dias de resguardo, auxiliando na amamentação, nos cuidados com o resto do cordão umbilical do bebê, e na recuperação da mamãe também.

Relação médico-paciente e idioma

Durante a gravidez, é muito importante a interação e a confiança entre o médico e a paciente. Caso o seu alemão não seja suficiente para se comunicar com o médico, ou se você não entende alguma coisa que ele diz e vice-versa, procure sempre ir ao médico acompanhada de alguém que domine o idioma. Ou então procure um médico que domine o português ou outra língua que você domine bem.

Os médicos alemães, como todas as pessoas, comportam-se de acordo com a sua cultura e seu meio social. A grande maioria deles, portanto, esperará que você pergunte aquilo que quer saber ao invés de dar-lhe a informação automaticamente. Além disso, a consulta pode ser bastante corrida caso o seu plano de saúde não for privado. Os médicos alemães em geral não gostam de dividir as decisões com o paciente, portanto tente sempre ser bastante clara em suas perguntas e exija informação adequada sobre todos os procedimentos realizados. A língua pode ser um fator complicador, por isso tente encontrar uma solução para essa questão, de forma a evitar problemas de comunicação que afetem a sua saúde e o bem-estar do bebê.

Caso o médico reaja negativamente à sua insistência em saber tudo sobre a gravidez e os métodos utilizados, saia pela tangente, sorria e diga que, como não é alemã, não entende muita coisa e gostaria que ele explicasse, "por favor". Lembre-se: na Alemanha, polidez não é tudo, mas quase.

Outra diferença é que aqui o médico geralmente não explica a dosagem dos medicamentos indicados, e sim o farmacêutico. Em geral, o médico digita no computador o nome do remédio, e a secretária na recepção imprime a receita que você leva para a farmácia. Portanto, preste atenção ao que o farmacêutico tem a dizer sobre o medicamento. Caso não entenda direito, peça para ele anotar tudo.

A escolha do hospital

Ao escolher o hospital, leve em consideração não apenas a equipe médica ou experiências pessoais de pessoas conhecidas, mas também fatores como localização, recursos técnicos, parteiras cadastradas (Hebammes), etc. Lembre-se de que penas hospitais que tenham um setor clínico infantil com CTI neo-natal (Kinderklinik) é que poderão receber bebês prematuros ou com problemas sérios de saúde. Se você der a luz em um hospital sem Kinderklinik, o bebê será transferido para outro hospital com Kinderklinik, mas você não! Você ficará sem contato com o bebê nos primeiros dias, e isso pode causar problemas de amamentação.

Quando você tiver alta do seu hospital, poderá visitar o bebê caso este ainda permaneça no hospital para cuidados médicos, mas não há garantia de que você possa dormir lá. Portanto, terá que ir e voltar para casa todos os dias, isso no período de resguardo. Portanto, o fator "distância" é importante também. Pergunte tudo isso à equipe médica do hospital que você escolher e planeje tudo com antecedência.

Depois de escolher o hospital, pegue seus documentos, Mutterpass e cartão da Krankenkasse, ligue para o hospital e marque uma entrevista para o pré-registro. Você preencherá um formulário com suas informações, para que a equipe médica tenha todas as informações sobre você com antecedência. Antes disso, porém, confirme com a sua Krankenkasse o que será integralmente pago pelo seu plano ou não. Há seguros privados que não pagam tudo! Dependendo do plano que você tiver, algumas coisas bem caras (como quarto particular e médico-chefe) podem ficar de fora, e você terá que pagar tudo do próprio bolso, o que pode sair muito caro, na casa dos milhares de euros. Munida dessas informações, indique no pré-registro exatamente o quê o hospital poderá oferecer respeitando os limites do seu plano de saúde.

Preparando-se para o parto

Por volta do sexto mês de gravidez, é hora de procurar um curso de preparação para o parto (Schwangerschaftsvorbereitungskurs). Várias instituições oferecem esses cursos, inclusive os hospitais. No entanto, os cursos oferecidos por associações religiosas (protestantes e católicas) são geralmente mais baratos do que os oferecidos no hospital. Não deixe para fazer o curso no final da gravidez: não é fácil arrumar uma vaga e há sempre o risco de um parto prematuro atrapalhar seus planos. O curso pode ser feito apenas pela grávida ou pelo casal.

O que colocar na mala

A seguir, uma lista dos itens mais comuns que devem estar na mala da grávida. Antes de arrumar a mala, pergunte à equipe do hospital o que é oferecido por eles, para você não levar coisas demais nem de menos. Em geral precisa-se de:

  • Garrafa térmica para água (o hospital oferece comida à parturiente e leite ou chá nas refeições, mas a água consumida nos intervalos tem que ser comprada pela própria parturiente ou por quem a visite regularmente).
  • Lista em alemão com as expressões mais usadas.
  • Dicionário de alemão.
  • Mutterpass.
  • Documentos.
  • Produtos de higiene pessoal (xampu, sabonete, etc.)
  • Toalhas.
  • Câmera fotográfica.
  • Travesseiro.
  • Rádio ou CD-player.
  • Sutiãs próprios para amamentação.
  • Calcinhas descartáveis (caso não haja banheiro no quarto)
  • Caderno de telefone.
  • Livro/revistas.
  • Camisolas amplas e compridas, com botões, para facilitar a amamentação.
  • Meias e chinelos confortáveis.
  • Um roupão comprido para usar ao sair do quarto.
No hospital

Quando começar a sentir contrações, não se apavore. Pegue um relógio e marque o intervalo das contrações. Quando as contrações ocorrem regularmente de cinco em cinco minutos, você estará entrando em trabalho de parto e deve se dirigir ao hospital que escolheu. Outro sinal de que entrou em trabalho de parto é o estouro da bolsa d'água. Talvez seja bom ligar para o hospital antes para informá-los. Ao chegar ao hospital, dirija-se ao "Kreissaal", sala de pré-parto.

O primeiro exame realizado no hospital é o eletrocardiograma para confirmar as contrações. A preparação para o parto varia muito de hospital para hospital, por isso informe-se com antecedência se quiser ter um tipo de parto específico. A cesariana só é realizada na Alemanha em caso de extrema necessidade, como falta de abertura, bebê sentado, etc. Você também terá que assinar um documento autorizando o médico a aplicar a anestesia pelidural (PDA).

O trabalho de parto pode ser rápido ou durar horas. Nem sempre você estará acompanhada da parteira durante todo esse tempo, portanto seria bom ter alguém sempre ao lado com você na sala, mais para apoio emocional do que qualquer outro motivo. Esse é um momento literalmente doloroso e de muita ansiedade.

Depois do parto

Você e o bebê ficarão ainda alguns minutos na sala de parto para os exames do bebê e a sutura da região pélvica da mãe. A partir desse momento, você terá que interagir com as enfermeiras. O tempo de permanência no hospital depois de um parto normal é em geral de 7 dias (Wochenbett) e de uma a duas semanas no caso de cesariana. Você poderá tentar encurtar o prazo de permanência no hospital caso o seu médico aprove, mas poucos aprovarão uma estadia inferior a 5 dias.

No bebê será feito o exame APGAR para testar suas funções vitais. Caso o bebê não esteja em boas condições de saúde, terá que ser transferido para uma estação infantil. O bebê deverá ser pesado todos os dias para saber se está realmente mamando corretamente. No quarto dia de vida do bebê, o pediatra realizará o primeiro grande exame do bebê, para avaliar seu desenvolvimento. Nesse exame estará muito provavelmente incluído a ultra-sonografia dos rins.

Dê bastante atenção à amamentação e exija das enfermeiras informação a esse respeito. Não espere que tudo lhe venha pronto - pergunte, peça, insista. Em geral, as enfermeiras são extremamente ocupadas e, por isso, muito rápidas e objetivas no seu trabalho, o que não deve ser confundido com desinteresse. Por isso, ajude-as e diga-lhes claramente qual é o seu problema. Peça que lhe mostrem como amamentar, como cuidar dos seios, como dar banho no bebê e trocar a fralda, como cuidar do umbigo do bebê, etc. Caso você tenha muito leite, pergunte onde é a sala para bombeamento de leite. Geralmente há uma sala no hospital onde você pode utilizar uma bomba eletrônica para retirar o excesso de leite, que poderá ser guardado na geladeira do hospital durante 24 horas. As enfermeiras darão o seu leite ao bebê durante a noite, para que você possa descansar um pouco.

O bebê, estando em boas condições de saúde, poderá ir para a casa quando você tiver permissão para deixar o hospital. Você receberá o "Kinder-Untersuchungsheft", um caderno de anotações médicas sobre o bebê semelhante ao MutterPass. Guarde bem este documento, que será utilizado pelos pediatras do seu filho durante os próximos anos de sua vida.


Um é bom, dois é razoável, três é demais!

ROUPAS

  • 1o. bebê: Você começa a usar roupas para grávidas no dia seguinte à confirmação da gravidez.
  • 2o. bebê: Você tenta usar as roupas normais o máximo que puder antes de usar roupas de gestante.
  • 3o. bebê: Roupa de gestante? Você usa as roupas que tem e olhe lá.

NOME DO BEBÊ

  • 1o. bebê: Você se debruça sobre livros com sugestões de nomes, compara os nomes quanto à pronúncia, origem, significado e faz a lista dos favoritos.
  • 2o. bebê: Alguém da família bem que poderia homenagear aquela tia-avó já falecida e dar o nome dela à criança...por que não eu?
  • 3o. bebê: Você abre um livro, fecha os olhos e aponta um nome aleatório. Pronto!

ANTES DO PARTO

  • 1o. bebê: Você pratica exercícios respiratórios religiosamente.
  • 2o. bebê: Você não faz mais exercício nenhum, porque da primeira vez não serviu pra nada.
  • 3o. bebê: Você já encomenda a anestesia pelidural no oitavo mês.

ENXOVAL

  • 1o. bebê: Você lava as roupinhas lindas que comprou, separa por cor e tamanho e dobra tudo direitinho no armário do bebê.
  • 2o. bebê: Você separa as roupinhas que tem, ficando com as limpas ou com manchas pequenas e só jogando fora as muito manchadas.
  • 3o. bebê: Menino também fica bem de rosa, né?

PREOCUPAÇÕES

  • 1o. bebê: Ao primeiro sinal de desconforto da criança, uma carinha diferente, um franzir de testa, você já corre para segurar o bebê.
  • 2o. bebê: Você pega no bebê quando os berros dele ameaçam acordar seu irmãozinho que dorme ao lado.
  • 3o. bebê: Você ensina ao filho de 3 anos a balançar o bercinho do irmão.

ATIVIDADES

  • 1o. bebê: Você leva o recém-nascido à ginástica para bebês, natação para bebês e grupo de encontro de bebês.
  • 2o. bebê: Você leva o recém-nascido à ginástica para bebês.
  • 3o. bebê: Você leva o recém-nascido ao supermercado e à tinturaria.

SAIR FORA

  • 1o. bebê: Na primeira vez em que você deixa o bebê com a babá, você fala com ela ao telefone 5 vezes.
  • 2o. bebê: Antes de sair de casa, você lembra de deixar um bilhete para a babá com o telefone do lugar onde vai estar.
  • 3o. bebê: Você diz à babá para só te ligar em caso de acidente sério.

EM CASA

  • 1o. bebê: Você passa uma boa parte do seu dia só olhando para o pimpolho.
  • 2o. bebê: De vez em quando você dá uma olhadinha no bebê para ver se o mais velho não está tocando, apertando ou batendo nele.
  • 3o. bebê: Você passa uma boa parte do seu dia tentando se esconder das crianças.
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